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Fundamentos

SLA de verificação de identidade: o que exigir em contrato

Disponibilidade contratada não descreve o serviço. Veja as cláusulas de SLA de verificação de identidade que protegem sua operação, com o que pedir e o que recusar.

Mão assinando contrato de serviço ao lado de um cronômetro

Um SLA de verificação útil define tempo de resposta por tipo de consulta, prazo da fila manual, comportamento quando a fonte oficial cai, notificação de incidente, direito de auditoria e saída com portabilidade. Disponibilidade sozinha não sustenta operação.

É comum o contrato chegar à mesa com um número grande de uptime e pouca coisa depois disso. Uptime mede se a API respondeu. Não mede se respondeu a tempo, nem o que acontece com o usuário que ficou pendente por horas. Quem compra verificação compra comportamento previsível sob estresse, e o contrato precisa descrever esse comportamento.

Por que o SLA de disponibilidade não descreve o serviço que você compra

Disponibilidade é métrica de plataforma. Verificação é cadeia: sua aplicação chama o fornecedor, ele consulta bases oficiais e privadas, roda biometria, aplica regra, às vezes encaminha para análise humana e devolve um estado. Cada elo tem latência e falha próprias.

Um fornecedor pode cumprir a disponibilidade contratada e ainda assim demorar a devolver resultado documental porque a fonte oficial está lenta. Pelo contrato, nada foi descumprido. Para o cadastro de um marketplace, o serviço parou.

A mesma lógica vale para uma camada que muitos contratos deixam de fora: a verificação depois do cadastro. Reverificação em troca de dispositivo, revalidação antes de saque, checagem de titularidade em mudança de dado. Contrato que só descreve onboarding deixa o ciclo de vida da conta sem prazo e sem penalidade.

Tempo de resposta por tipo de consulta, não média geral

Média esconde o que importa. Peça faixa por tipo de consulta e, dentro de cada tipo, percentil 95 e percentil 99.

Merecem linha própria: validação de dado cadastral em base pública, leitura de documento, comparação facial, prova de vida, risco de dispositivo, enriquecimento de sócios e consulta manual. São tempos de ordem de grandeza diferente, e tratar tudo como um número só esconde essa diferença.

Recuse a cláusula que define tempo de resposta "do serviço" sem discriminar escopo, e a medição que exclui a fila interna do fornecedor. Se o relógio só começa quando o caso sai da fila, o prazo não descreve nada.

Fila manual: prazo, parada de relógio e reapresentação

É onde o contrato costuma ficar vago e onde o usuário sente. Três definições precisam estar escritas.

Prazo de conclusão, por janela de horário e dia da semana. Fila que responde mais rápido em dia útil do que no fim de semana é realidade legítima, desde que declarada.

Parada de relógio, com lista fechada de hipóteses. O caso clássico é a pendência com o usuário: o analista pede nova foto e a contagem suspende até a resposta. Parada genérica por "necessidade de diligência adicional" não se sustenta.

Reapresentação: quantas tentativas, em que prazo e com que orientação. Fricção aqui é prova de rigor, não defeito. O contrato precisa dizer que a segunda tentativa é guiada, com motivo legível, e não um recomeço do zero.

Quando a fonte oficial cai: modo degradado e reprocessamento

Bases públicas e privadas ficam indisponíveis, e as opções de comportamento nesse intervalo levam a riscos diferentes.

Peça três definições. O comportamento padrão: estado pendente, erro explícito ou aprovação com validação parcial? Aprovar por padrão em queda de fonte é a escolha que mais cria passivo. A janela de reprocessamento automático, ou seja, em quanto tempo o caso represado volta a ser consultado sem nova chamada sua. E a comunicação: canal, tempo até o primeiro aviso e atualização periódica.

Sobre incidente com dado pessoal existe marco normativo. A Resolução CD/ANPD nº 15, de 24 de abril de 2024, fixa três dias úteis para o controlador comunicar à autoridade e aos titulares o incidente de segurança que possa acarretar risco ou dano relevante, contados do conhecimento de que o incidente afetou dados pessoais, admitida a complementação das informações em até vinte dias úteis a contar da comunicação (ANPD, 2024). Se o fornecedor atua como operador, o prazo de aviso a você precisa ser bem menor que esse. Vinte e quatro horas é pedido defensável.

Evidência, auditoria e saída com portabilidade

Decisão sem trilha é decisão que você não sustenta depois, diante do regulador, do cliente corporativo ou do usuário que contesta um bloqueio.

Peça retenção declarada de log de decisão, com identificador da consulta, fontes acionadas, versão de regra, resultado de cada etapa e carimbo de tempo. Peça acesso por interface ou exportação, não por chamado, e direito de auditoria com periodicidade e prazo definidos, alcançando subcontratados relevantes.

Instituições autorizadas pelo Banco Central têm camada adicional: a contratação de serviços relevantes de processamento e armazenamento de dados segue a Resolução CMN nº 4.893, de 26 de fevereiro de 2021, ou, no caso das instituições de pagamento, entre outras, a Resolução BCB nº 85, de 8 de abril de 2021. As duas exigem verificar antes a capacidade do prestador e prever em contrato a transferência e a exclusão dos dados no fim da relação. O registro no Unicad da empresa contratada para compartilhar dados sobre indícios de fraude está na pauta sobre a IN BCB 590/2025.

Na saída, três cláusulas protegem você: portabilidade em formato estruturado e legível por máquina, prazo de devolução e prazo de eliminação com evidência. A Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, dá ao titular esses direitos, mas é o contrato que os torna operacionais entre empresas.

Cláusula a cláusula: o que pedir e o que recusar

  • Disponibilidade. O que pedir por escrito: Percentual mensal por endpoint crítico, com janela de manutenção declarada. O que recusar: Uptime único da plataforma, sem separar consulta de painel.
  • Tempo de resposta. O que pedir por escrito: Percentil 95 e 99 por tipo de consulta, relógio iniciando na chegada da requisição. O que recusar: Média geral e exclusão do tempo de fila interna.
  • Fila manual. O que pedir por escrito: Prazo por faixa de horário e dia, com lista fechada de paradas de relógio. O que recusar: Parada de relógio genérica por diligência adicional.
  • Queda de fonte. O que pedir por escrito: Comportamento padrão declarado e janela máxima de reprocessamento automático. O que recusar: Aprovação automática com validação parcial.
  • Notificação de incidente. O que pedir por escrito: Aviso em até 24 horas, com canal nomeado e atualização periódica. O que recusar: Notificação em "prazo razoável".
  • Trilha de evidência. O que pedir por escrito: Log de decisão com fontes, versão de regra e carimbo de tempo, exportável. O que recusar: Acesso a evidência apenas por chamado avulso.
  • Auditoria. O que pedir por escrito: Periodicidade, prazo de agendamento e alcance de subcontratados. O que recusar: Auditoria condicionada a aprovação discricionária.
  • Pós-cadastro. O que pedir por escrito: Prazos próprios para reverificação, risco de dispositivo e checagem transacional. O que recusar: SLA que cobre apenas o cadastro inicial.
  • Saída. O que pedir por escrito: Portabilidade estruturada, prazo de devolução e evidência de eliminação. O que recusar: Formato proprietário ou devolução sem prazo.

Crédito em fatura resolve pouco quando o cadastro parou por um dia. O que muda comportamento é penalidade escalonada: plano de ação formal na segunda ocorrência e rescisão sem multa na terceira, em janela definida.

O que fazer agora

  1. Liste os tipos de consulta que você usa e exija linha própria para cada um no anexo de SLA, incluindo os eventos de pós-cadastro.
  2. Meça do seu lado por trinta dias antes de assinar ou renovar, e compare com o relatório do fornecedor.
  3. Escreva a hipótese de queda de fonte oficial, com comportamento padrão, janela de reprocessamento e canal de aviso.
  4. Peça um teste de exportação de evidência e de dados antes da renovação, não depois da decisão de sair.
  5. Amarre penalidade a plano de ação e a saída sem multa. A pauta sobre como escolher um fornecedor de KYC traz as perguntas que antecedem a negociação.

Perguntas frequentes

Qual é um tempo de resposta razoável para consulta de verificação? Depende do tipo. Validação cadastral, leitura documental, comparação facial e análise manual têm ordens de grandeza diferentes. O que torna o contrato útil é separar por tipo e usar percentil em vez de média.

O SLA deve cobrir a fila de análise manual? Sim, e é o item mais esquecido. Sem prazo por faixa de horário e sem lista fechada de paradas de relógio, a fila vira caixa preta sem descumprir nada.

O que o fornecedor deve fazer quando a fonte oficial fica indisponível? O contrato precisa declarar o comportamento padrão. Estado pendente com reprocessamento automático protege melhor do que aprovação com validação parcial, que transfere risco sem deixar rastro.

Qual prazo de notificação de incidente pedir? Peça aviso em até 24 horas. A Resolução CD/ANPD nº 15/2024 fixa três dias úteis para o controlador comunicar autoridade e titulares, então o aviso do fornecedor precisa ser bem mais curto.

SLA de verificação cobre reverificação e validação transacional? Só se você exigir. Muitos contratos descrevem o cadastro inicial e silenciam sobre o resto do ciclo de vida da conta.

Para avaliar como isso se aplica à sua operação, fale com o time comercial da Shiel ID.